Sobre A Decisão de Contratar uma Doula

Depois de ver vários documentários e ler acerca de gravidez, trabalho de parto e nascimento estava decidida a tentar um parto natural. Inicialmente ouvi muitos comentários reprovadores como: “Sim, sim! Assim que começar logo mudas de ideias”…

Nas minhas pesquisas sobre como preparar-me para o parto sobressaíram duas ideias que achei fundamentais: 1. Aulas de hipnoparto, para melhor preparar-me para o trabalho de parto; 2. Uma Doula, uma pessoa que já presenciou muitos partos, conhece o ambiente hospitalar e que poderia dar-me o apoio que um marido nervoso pudesse não conseguir dar naquele momento.

O que é uma Doula? A palavra é de origem grega e significa “a mulher que serve”. A Doula é alguém que dá apoio moral e emocional, utiliza medidas de conforto, e ajuda a levar a cabo o plano de nascimento. Clique aqui para mais informação (em inglês).

Pois que então, ao tentar definir o meu plano de nascimento, comecei também à procura de doulas, apesar de muitos a meu redor ainda não estarem seguros que esta era a melhor decisão. Também tenho de admitir que muitas vezes pensei para comigo: “E se acabar com uma cesariana? Não vai ser um desperdício de dinheiro?”. Um pequeno à parte, alguns seguros de saúde nos EUA reembolsam os serviços de Doulas, mas infelizmente esse não foi o nosso caso.

Encontrei-me com a primeira doula, a Nancy, para uma entrevista informativa. Tivemos imediatamente uma boa sintonia e falámos por mais de uma hora num café local. No final da entrevista a Nancy disse-me: “É melhor entrevistar outras doulas primeiro antes de tomar uma decisão”. O quê? Não me digas que a estou a ser despachada por esta doula, pensei eu. Eu tinha gostado dela. Pensava que ela tinha simpatizado comigo. Porque é que ela me está a dizer para falar com outras pessoas? No entanto, fiz o que ela sugeriu e falei com mais duas doulas. Uma ia estar de férias por altura da minha data prevista. A outra, sinceramente, não me convenceu. Depois de falar com a minha melhor amiga (que é também numeróloga) decidimos que o meu coração tinha escolhido bem à primeira. A Nancy tinha números que a definiam como uma pessoa carinhosa e só podia ser boa naquilo que fazia! Os números confirmaram a minha intuição inicial e a decisão estava tomada. A Nancy Abbott seria a nossa doula.

Encontrámo-nos com a Nancy uma vez durante a gravidez e falámos durante horas sobre aquilo que desejávamos e esperávamos do nascimento, discutimos quais os maiores receios e revimos estratégias para uma gravidez saudável. Ela falou-nos de diferentes posições para ajudar a bebé a virar, pois naquela altura ainda não o tinha feito. E a verdade é que 3 dias depois… A nossa menina estava de cabeça para baixo!

No final da gravidez passámos a trocar emails semanalmente, em que eu lhe contava o que as enfermeiras me diziam nas consultas e ela partilhava informação, dicas e acima de tudo transmitia mensagens de apoio. Quando cheguei às 40 semanas e a menina teimava em ainda não nascer, a Nancy ajudou-me a gerir as minhas expectativas, falou-me de maneiras naturais de induzir o parto e ajudou-me a navegar as conversas no gabinete médico sobre uma possível indução (melhor dizendo, ajudou-me a dizer-lhe que não e que preferia esperar que a menina L chegasse na sua hora).

E quando o dia finalmente chegou, lá estava ela! A primeira cara que vejo à saída do elevador do hospital, no piso da maternidade, às 8 da manhã e com um sorriso gigante na cara e os braços abertos. Que belo início! Esteve lá quando nos disseram que teríamos que voltar para casa e que ainda era cedo. Esteve connosco em casa. Esteve connosco durante as decisões mais difíceis. E estava lá 40 horas depois, quando a nossa menina decidiu vir ao mundo. Ajudou-me a tomar decisões, ajudou e preparou o meu marido quando acabámos de facto por ter que fazer uma cesariana. E se foi tão bom tê-la lá connosco! Isso foi a resposta a todas as minhas dúvidas iniciais!

Duas semanas depois, a Nancy voltou à nossa casa para ver a nossa menina. Com ela, trouxe uma bela “História de Parto” de 11 páginas, para podermos sempre lembrar-nos de como a nossa aboborazinha chegou ao mundo. Entre risos e lágrimas, revivemos aquele dia (ou melhor, aqueles dias) e processámos todas as emoções que ainda estavam muito presentes em relação a um plano de parto que correu completamente de forma oposta àquilo que esperávamos (mais sobre este assunto num post futuro).

A Nancy fará sempre parte dos nossos pensamentos, memórias e até fotografias. Será sempre a pessoa que nos ajudou num dos dias mas difíceis, mas também mais felizes das nossas vida. Estou 100% satisfeita com a decisão de ter contratado uma doula. Não uma doula qualquer. A Nancy.

 

doula

Arte Doula – Artista Desconhecido

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One thought on “Sobre A Decisão de Contratar uma Doula

  1. Pingback: Plano de Parto: o sonho, a realidade e tudo o resto | Two Tiny Feet, One Big Heart

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