10 Coisas a Saber Sobre uma Cesariana

10 coisas duma cesariana

Como descrevi no me último post, nunca pensei que acabaria por fazer uma cesariana. Por isso, em toda a honestidade, nunca me preparei para essa possibilidade. Não sabia o que esperar e nos meus planos para o pós-parto nem se quer tinha em consideração essa possibilidade. Por isso, olhando agora para trás, sinto que podia ter-me preparado melhor para essa eventualidade. Por isso decidi partilhar as 10 coisas que eu gostava de ter lido sobre ter uma cesariana.

  1. As emoções são fortes.  A alta intensidade de emoções durante um parto vaginal ou de cesariana são iguais. Vai sentir-se entusiasmada, receosa e numa montanha russa de emoções. E ver o seu bebé pela primeira vez num bloco operatório ou numa sala de partos vai trazer exactamente a mesma amálgama de emoções. Eu chorei que nem uma perdida quando vi a minha menina pela primeira vez. Provavelmente isso teria acontecido duma maneira ou de outra. A única diferença foi não poder pegar logo nela.
  2. Amamentar pode vir com alguns obstáculos. Antes de mais, não terá a oportunidade de amamentar logo a seguir ao parto. Contudo, dependendo de onde for o parto, poderá fazê-lo assim que chegue ao recobro (como foi o meu caso). Contudo, após  um parto cirúrgico, é possível que o seu leite demore mais a descer. E é aí que as coisas podem ficar complicadas, se o seu plano é de amamentar exclusivamente. Pois dependendo do hospital onde estiver e da sua rede de suporte social (amigos, família, etc.), pode sentir-se mais pressionada a complementar com leite adaptado. Digo mesmo: é muito difícil ouvir o seu recém-nascido chorar e não pensar que está a deixá-lo passar fome. Especialmente se as pessoas ao seu redor pensam e dizem isso. Contudo, os estômagos dos bebés são muito pequeninos e feitos para ser alimentados da pequena quantidade de colostro que lhe vai dar. Se estiver num hospital que apoie a amamentação, tiver um bom suporte social, uma conselheira de amamentação e o seu bebé não estiver a perder mais de 10% do seu peso de nascimento, não terá tantos problemas.  Neste cenário, os dias adicionais que passará no hospital poderão até ser a melhor coisa que lhe possa acontecer. Para além destes problemas, os outros obstáculos que surgem estão relacionados com as dores na barriga resultantes da cesariana. Estas poderão dificultar o posicionamento do bebé nas tentativas de uma pega mais eficaz e também poderão causar mais incómodo com o peso do bebé em cima de si durante tantas horas do dia (um recém-nascido amamenta 8 a 10 vezes por dia e no início durante longos períodos de cada vez).
  3. Como é possível estar maior do que quando estava grávida? Não estava à espera de sair do hospital linda e esbelta como todas as maravilhosas celebridades. Nem se quer tinha esperança de caber na minha roupa pré-gravidez. Por isso, meti na minha mala umas calças de ganga de maternidade e uns ténis para poder estar confortável no regresso a casa. JAMAIS pensei NÃO CABER NAS MINHAS CALÇAS DE MATERNIDADE! O que se passou aqui??!! Aparentemente depois de uma cesariana é natural ficar inchado. Não inchada como na gravidez. Pior. E dependendo da quantidade e qualidade de medicamentos e soro que levou, pior o inchaço. Mal cabia nas minhas calças. Foi mesmo resvés para desenrascar e chegar a casa num desconforto. Mas os ténis? Sem hipótese! Felizmente, ando sempre com um par de havaianas no carro e lá consegui a muito esforço enfiar lá os meus gigantes pés. Desta é que eu não estava mesmo nada à espera!
  4. Os abdominais são músculos importantes e não só por vaidade.  Finalmente vai valorizar e dar importância aos seus músculos abdominais. Ai se eles estão envolvidos em praticamente tudo aquilo que fazemos. Sem dúvida que vai valorizá-los muito mais depois desta experiência, mas não sem antes gemer e morder os lábios cada vez que espirrar, rir, andar, sentar, tiver o seu bebé em cima da sua barriga, for à casa-de-banho e tantas outras tarefas mundanas do dia-a-dia. Mas não se preocupe. Será “apenas” por 6 a 8 semanas.
  5. VAI precisar de ajuda mesmo se acha que consegue fazer tudo sozinha.  Se for como eu, vai pensar e querer fazer tudo sozinha. Vai querer gozar o seu bebé em paz e sossego quando chegar do hospital. Vai querer ter tempo a sós com a sua recém formada família e aproveitar as maravilhas dum recém-nascido. Vai rejeitar a oferta da sua mãe de vir para perto de si antes do bebé nascer e vai ficar chateada quando ela o fizer mesmo depois de lhe dizer que não. Como estava enganada. Mãe, desculpa-me a teimosia! Graças a Deus ignroaste-me e vieste de qualquer maneira. Chegar a casa após uma cesariana é maravilhoso. Contudo, fisicamente, há muita coisa que não poderá/deverá fazer. E vai custar e doer quando se levantar do sofá e da cama. Por isso, se tiver alguém por perto que lhe traga o bebé, que a ajude com a cozinha, as limpezas e com as idas ao médico, vai saber-lhe bem! Maridos e parceiros são uma grande ajuda, claro! Mas dependendo  dos dias de licença que estes têm, poderá já não estar em casa para ajudar. Por isso se puder, tenha um plano B!  
  6. Vai sangrar depois do parto na mesma.  Nunca pensei muito nisto, mas claro que fazia sentido haver o mesmo tipo de sangramento após uma cesariana, que depois dum parto vaginal. Estava contente por não ter tido o período durante 9 meses? Vai se esquecer disso num instante pois nas próximas 6 semanas vai compensar o que perdeu! Tenha muitos pensos em casa à mão (e dos grandes!) para quando voltar do hospital. Vai precisar deles. 
  7. A cicatriz. Profissionais de saúde olharão para a sua cicatriz como se de uma obra de arte se tratasse e perguntar-lhe-ão que foi o “artista” que a desenhou se for um bom exemplar. Aparentemente, tive sorte. Todas as enfermeiras que vieram ao quarto tratar da minha cicatriz perguntaram com um ar maravilhado: “Quem é que fez a sua cesariana? A sua cicatriz está maravilhosa!” Claro, que para si, nunca estaraá maravilhosa, porque o corpo é seu. Mas, se alguém lhe disser tal coisa, aceite o elogio e fique contente que teve sorte. Para além disso, devo dizer que o Bio-oil, ajudou-me imenso com a cicatriz. Está com muito bom aspecto e cada vez mais clarinha. Experimentei primeiro umas tiras de silicone a recomendação da enfermeira, mas não gostei. Ficavam presas na roupa e acabava por não as usar por serem tão inconvenientes. De qualquer forma, não se esqueça de perguntar ao seu médico primeiro quando é que pode começar a pôr qualquer tipo de produto na cicatriz.
  8. Medicamentos. Mesmo se não gosta de tomar medicamentos, acredite: VAI TOMÁ-LOS! Eu odeio tomar medicamentos e só o faço em último recurso. Mas neste caso, tomei comprimidos por mais de 6 semanas depois da cesariana. Não os mais fortes. Esses tomei umas 2-3 semanas. Mas o brufen tomei durante uns bons tempos. Andei com dores por mais tempo do que o esperado. A parteira disse que provavelmente teria sido por ter levantado pesos antes do tempo recomendado. Por isso, se tiver outra opção, respeite o tempo de recuperação e na6o pegue no ovo do seu bebé ou em outros pesos a não ser que seja mesmo preciso. Três semanas depois da L nascer eu fiquei sozinha com ela. Os meus pais regressarem a Portugal e o marido estava de volta ao trabalho. E tive muitas consultas de última hora às quais tinha mesmo de ir. Portanto, não tinha outro remédio senão pegar nela e no ovo. É possível fazê-lo, mas vai apenas atrasar a sua recuperação.
  9. Roupas e Vestimentas. As roupas vão causar-lhe desconforto e calças de pijama macias e sem elástico ou camisas de dormir/vestidos serão os seus melhores amigos. Lembro-me que até alguma roupa interior me causava desconforto se o elástico ficasse mesmo em cima da cicatriz. Por isso, tenha isso em atenção quando escolher o vestuário das primeiras semanas.
  10. Perder Peso. Há quem diga que que perder peso depois de uma cesariana é muito mais difícil do que depois de uma parto vaginal. Não tive essa experiência. E vamos começar já por clarificar que eu não sou mesmo uma daquelas pessoas que pode comer o que lhe apetece e nem uma grama engordam. Pelo contrário. Para minha grande surpresa não fiquei a lontra gigante que sempre pensei ficar quando engravidei. Ganhei por volta de 15kg (o que já é bastante) durante a minha gravidez. Não prestei grandes atenções nem cuidados à dieta e ao exercício. Bebi MUITA água, o que provavelmente ajudou. E mais uma vez, mais porque estava constantemente cheia de sede, do que por estar a ter cuidados especiais.  De qualquer forma, depois de ter a bebé o peso foi baixando sorrateiramente, mais uma vez sem grande atenção a dietas e exercício. Amamentei exclusivamente durante 4 meses e meio e continuei a amamentar depois da introdução de comida sólida até agora (11 meses e meio). Penso que esta foi a razão principal da perda de peso. Hoje, estou com menos 3kg do que quando engravidei. Confesso, que receio o que poderá acontecer quando parar de amamentar. Aí, terei MESMO que começar a ter um regime de alimentação e exercício saudável se quiser continuar no bom caminho. Por isso, para mim, apesar de ficar muito inchada depois de ter a bebé, penso que o facto de ter tido uma cesariana não prejudicou o processo de perda de peso.

A minha conclusão é: quer esteja a planear uma cesariana ou não, tenha em conta que é sempre uma possibilidade. Tenha um plano para quem a vai ajudar se necessitar (precisar, precisa sempre, mas nesta situação vai precisar mais ainda) e faça uma pesquisa sobre o que poderá precisar de isso acontecer. Pelo menos já sabe se for preciso. Por exemplo, para mim, já foi muito tarde quando vi umas cuecas que pareciam ser maravilhosas para a recuperação duma cesariana: a C-panty.

E aqui estão as minhas 10 coisas. Tenho curiosidade em saber o que mais adicionaria a esta lista. Comente e partilhe as suas experiências.

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Plano de Parto: o sonho, a realidade e tudo o resto

plano de parto

Apercebo-me agora do impacto que tem a nossa história de parto. Já passou quase um ano e ainda não escrevi o post que planeava escrever sobre Planos de Parto e trabalho de parto. Penso que tem sido mais confortável para mim não voltar àquele dia e pensar sobre isso outra vez. Sentia finalmente que já tinha lidado com as emoções daquele dia e voltar a pensar em escrever sobre isso era mais do que aquilo que queria ou me apetecia fazer. Não me interpretem mal. Não estou traumatizada, nem me arrependo de nada. Até porque acima de tudo o mais importante foi conseguido: uma mãe e uma bebé saudáveis. Contudo, estar em trabalho de parto, ter um bebé e tornar-se mãe é uma das coisas mais poderosas que acontecem na vida de uma mulher. E é natural que se tenham expectativas sobre o que vai acontecer. Mas as memórias que ficam são da realidade do que aconteceu. Entre o sonho e a realidade estão os sentimentos de frustração, tristeza e luto. Estão os pensamentos, dúvidas e sentimentos de incompetência e a constante interrogação “e se…?”. Entre o sonho e a realidade está a verdade difícil de aceitar: não podemos controlar tudo na nossa vida; não podemos desde o início fazer tudo aquilo que queríamos e gostávamos por nós nem pelos nossos filhos.

Como já mencionei nos últimos posts, durante a minha gravidez pensei muito sobre o que seria o trabalho de parto ideal para mim. Como muita gente sábia me avisou: deves ter um plano com preferências e estares preparada para mudá-lo. E foi isso que fiz. Sabia muito bem que tudo o que tinha planeado podia não acontecer da maneira que eu desejava. Mas até se viver a situação, não se faz a menor ideia do quão difícil isso é.
Preparámo-nos para o parto com uma aula de Hipnoparto no Hosptial Newton-Wellesley. O meu marido gostou da parte informativa e de perceber os factos todos sobre trabalho de parto e eu gostei de ter uma perspectiva que me fez sentir mais confiante na minha decisão de escolher um parto natural. Para além disso, ambos deliciávamo-nos com as curtas sestas durante os exercícios de relaxamento, que tão bem sabiam depois de um longo dia de trabalho. Mas confesso, desde o início, achei que a perspectiva desta teoria de NÃO sentir dor era demasiado exagerada ou pelo menos não atingível para a maioria das pessoas… mas quem sabe eu não seria uma dessas pessoas abençoadas? Toda a gente dizia que para o Hipnoparto ser eficaz é preciso praticar TODOS os dias. E eu não fui assídua com os meus treinos. Pratiquei os exercícios de relaxamento aqui e ali, ouvia as afirmações positivas no caminho para o trabalho e li o livro duma ponta à outra. Mas era um exercício de relaxamento diário? Nem por isso.

Contratámos uma doula excelente. E isto foi umas das melhores coisas que podíamos ter feito. Leia mais sobre isso neste post antigo: Sobre a decisão de contratar uma doula.

Então, perguntam vocês, qual era o nosso plano de parto afinal? Queríamos uma parto natural com o menor número de intervenções médicas possíveis. Não nos seria oferecido medicação para as dores, mas nós pediríamos se quiséssemos. Não estaria ligada ao monitor continuamente, a não ser que fosse medicamente necessário, nem estaria presa à cama do hospital. Poderia andar, usar a bola de Pilates, a banheira (se disponível). Poderia estar em trabalho de parto e dar à luz em qualquer posição que fosse mais confortável para mim. Seria evitada uma episiotomia a não ser que fosse medicamente necessária. Quando a bebé nascesse seria posta no meu peito imediatamente e permitido amamentar. Adiaríamos o corte do cordão umbilical e que limpassem e pesassem a bebé para mais tempo pele-a-pele com a maē depois do nascimento. Todas as intervenções que tivessem de ser feitas à bebé seriam feitas com ela no meu colo. Claro que, tudo isto, se a nossa saúde o permitisse.

Era esse o meu plano. Era isso que ambicionava. E racionalmente, estava preparada para alterar o meu plano a qualquer momento se as circunstâncias assim me obrigassem.  Mas emocionalmente… isso é outra conversa! O que é que acabou por acontecer então? É uma longa história. Vou tentar resumir as partes mais importantes. Mas digamos que, para minha grande tristeza, não podia ter sido mais medicalizada do que foi.

Terça à tarde comecei a ter contracções. Eram regulares mas toleráveis. Acabei o meu dia de trabalho (em casa) sem problemas. Quando fui para a cama as contracções estavam a afastar-se e pensei que devia ser mais um falso alarme (apesar das já quase 41 semanas). Depois da meia-noite a intensidade das contracções aumentou e a partir das 4 da manhã aconteciam de 5 em 5 minutos. Às 6 da manhã estávamos no famoso 5-1-1 (contracções que duram um minuto, de 5 em 5 minutos, há 1 hora) e telefonámos para o hospital. Chegámos ao hospital às 8 da manhã onde a nossa doula nos esperava. Quando nos disseram que só estava 1cm dilatada, não queríamos acreditar! Mandaram-nos para casa e deram algumas recomendações para tentar mudar a bebé de posição, pois não estava numa posição muito encaixada e favorável.

Estive em casa em trabalho de parto. Tentei descansar e comer (mas não com muito sucesso). A intensidade das contracções estavam mais fortes mas eram muito irregulares. Deitei-me no sofá, estive debaixo do chuveiro uma boa hora, tentei diferentes posições para ajudar a bebé a encaixar e descer com a ajuda da Nancy (a doula) e do meu marido. Às 4 da tarde, depois de comer uma canjinha feita pela minha querida mãe, estava a ter contracções de 3 em 3 minutos e voltámos para o hospital. Agora, 24 horas depois, já estava cansada. À chegada disseram-me que estava de 5cm e podia ficar no hospital. Até tinham um quarto com banheira e tudo. Então lá estive na banheira mais uma hora. Por essa altura debati-me com a minha primeira decisão: levar ou não levar a epidural. Tinha chegado aos 5cm, mas com 24 horas em cima a minha energia estava a desaparecer. Se calhar, se levasse a epidural talvez conseguisse dormir e descansar para me sentir melhor quando chegasse a nossa menina? Mesmo assim estava preocupada com a possibilidade de puxar a bebé com uma epidural, entre outras coisas. As minhas maravilhosas parteira e enfermeira ajudaram-me a sentir confortável com a minha decisão. Sai da banheira, estava 7cm dilatada e levei a epidural. Depois disso, as coisas deixaram de ser como eu tinha planeado.
A epidural não pegou bem e precisei de levar mais várias vezes. Durante horas não passei dos 7cm. Como as minhas águas ainda não tinham rebentado, decidimos tentar pitocina primeiro. Nada aconteceu. Depois decidimos então tentar rebentar as águas. Horas depois, finalmente chegámos aos 10cm. Por esta altura já eram umas 2 da manhã. Puxei durante 1 hora. Nada. Descansei. Puxei outra hora. Nada. Tentámos várias posições (limitadas devido à epidural). Lembro-me de pensar: “não, esta bebé vai sair agora!!!”. Incrível as forças que se arranjam nestas situações. Mas estava esgotada. Em trabalho de parto há 40 horas, mais de metade sem epidural, o restante tempo com uma epidural que não estava a funcionar bem. Puxar durante 2 horas e SEM progresso nenhum. E foi aí que acabámos no bloco operatório com um diagnóstico de “incapacidade de progredir” (tradução literal – mas o nome do diagnostico em si faz mesmo uma pessoa sentir-se como a própria palavra – um falhado!) e uma cesariana. Não foi uma emergência. Foi a última medida. E para juntar à festa, com todos os medicamentos que me deram – por causa duma epidural mal feita – não me lembro de nada. Lembro-me de pensar “porque é que o médico já está a cortar? O meu marido ainda não está aqui” e o que vejo a seguir é o meu marido a trazer aquele embrulhinho maravilhoso e emocionalmente dizer-me “é linda!”. O quê? O que é que aconteceu? Não queria acreditar que nem a tinha ouvido nascer! Olhei para ela. E naquele momento esqueci-me de tudo! Mal podia acreditar que ela estava finalmente aqui! Apaixonei-me naquele instante. Não conseguia parar de chorar e só queria poder pegar nela!

Tenho de dizer que o hospital fez um trabalho maravilhoso de tentar tornar a cesariana na melhor experiência possível. Tive uma cesariana impecável e sem complicações. A bebé NUNCA foi levada para longe de nós. Assim que chegámos ao recobro ela foi posta no meu peito e amamentou e esteve pele-a-pele comigo enquanto a minha maca foi levada para o quarto da Maternidade. Todos os nossos pedidos para o pós-parto foram respeitados: não deram formula à bebé, ela ficou no meu quarto, etc.

Estive no hospital 5 dias. Foi uma benção. Durante 3 dias as parteiras vieram e falaram connosco sobre o nosso trabalho de parto e tentaram processar connosco todos os nossos sentimentos. Sabiam que as coisas não tinha corrido como planeado e o quão emocional isso pode ser. Chorámos, rimos, desejámos que tivesse sido diferente, aceitámos a realidade do que aconteceu. Para além disso, ficar no hospital ajudou-me a começar o processo de amamentação. Não tenho a certeza se teria tido sucesso em casa sozinha se tivesse vindo para casa ao fim de dois dias (mais sobre isto num post futuro).

Depois de quase um ano, a coisa que ainda me traz lágrimas aos olhos é lembrar-me que não a ouvi nascer. Dói. Há pessoas que não conseguem perceber porquê. Mas acho que é daquelas coisas que só passando por elas é que se percebem. Mas há uma coisa que me faz sentir melhor em relação a isso. Claro, que foi o facto de ter uma bebé saudável. Mas também um vídeo maravilhoso que o meu marido filmou em que se vê aquela menina de olho esperto a olhar directamente para a camera, com apenas um minuto de vida. Ela estava pronta para roubar os nossos corações e enfrentar o mundo. A nossa historia começou nesse dia. Nessa quinta-feira às 8:08 da manhã. E sinto-me melhor por saber que ela nasceu quando e como tinha que nascer, mesmo que isso não tenha sido o meu plano.  

 

Actividades do dia-a-dia com um bebé: 23 de Setembro, 2014

Esta foi a nossa actividade de hoje:

um saco sensorial versão aquário!

 

saco sensorial

O que precisa:

  • um saco hermético (de preferência um com fecho para maior segurança);
  • gel para o cabelo barato – eu comprei o meu numa loja dos 300 e já era azul. Mas pode comprar um claro e adicionar corante alimentar;
  • peixinhos de espuma – usei isto porque já cá tinha em casa que sobrou de projectos anteriores;
  • fita adesiva daquela mais forte.

É só adicionar gel para o cabelo no saco hermético, pôr os peixinhos lá dentro e colocar a fita adesiva em toda a volta! E voilá! O seu bebé já se pode divertir a puxar os peixinhos no saco viscoso! É giro e uma óptima actividade sensorial para os miúdos! Tocar em diferentes texturas é uma ferramenta maravilhosa para o desenvolvimento dos bebés.

Pode fazer sacos com diferentes temas e substâncias. Por exemplo, pode usar creme de barbear ou água. Pode adicionar diferentes objectos como pequenas contas, botões ou outros brinquedos de espuma ou plástico. Certifique-se apenas que usa objectos que não furem o saco e se tiver um bebé mais novo que ainda gosta de pôr tudo na boca (como eu! Quando é que essa fase vai passar?) fique sempre atento quando ele/a estiver a brincar com o saco para o caso do saco furar e começar a derramar líquido.

Tem aqui outras ideias (em inglês):

  1. Saco Sensorial para bebés da Plain Vanilla Mom
  2. Saco Sensorial para o Dia das Bruxas da Hands on as we Grow
  3. Saco Sensorial Brilha no Escuro da Growing a Jeweled Rose
  4. Saco Sensorial de Botões da Falling Flanellboards
  5. Saco Sensorial Brilhante da IntelliDance

Agora é só usar a sua criatividade! Partilhe nos comentários uma foto das vossas invenções.

Sobre A Decisão de Contratar uma Doula

Depois de ver vários documentários e ler acerca de gravidez, trabalho de parto e nascimento estava decidida a tentar um parto natural. Inicialmente ouvi muitos comentários reprovadores como: “Sim, sim! Assim que começar logo mudas de ideias”…

Nas minhas pesquisas sobre como preparar-me para o parto sobressaíram duas ideias que achei fundamentais: 1. Aulas de hipnoparto, para melhor preparar-me para o trabalho de parto; 2. Uma Doula, uma pessoa que já presenciou muitos partos, conhece o ambiente hospitalar e que poderia dar-me o apoio que um marido nervoso pudesse não conseguir dar naquele momento.

O que é uma Doula? A palavra é de origem grega e significa “a mulher que serve”. A Doula é alguém que dá apoio moral e emocional, utiliza medidas de conforto, e ajuda a levar a cabo o plano de nascimento. Clique aqui para mais informação (em inglês).

Pois que então, ao tentar definir o meu plano de nascimento, comecei também à procura de doulas, apesar de muitos a meu redor ainda não estarem seguros que esta era a melhor decisão. Também tenho de admitir que muitas vezes pensei para comigo: “E se acabar com uma cesariana? Não vai ser um desperdício de dinheiro?”. Um pequeno à parte, alguns seguros de saúde nos EUA reembolsam os serviços de Doulas, mas infelizmente esse não foi o nosso caso.

Encontrei-me com a primeira doula, a Nancy, para uma entrevista informativa. Tivemos imediatamente uma boa sintonia e falámos por mais de uma hora num café local. No final da entrevista a Nancy disse-me: “É melhor entrevistar outras doulas primeiro antes de tomar uma decisão”. O quê? Não me digas que a estou a ser despachada por esta doula, pensei eu. Eu tinha gostado dela. Pensava que ela tinha simpatizado comigo. Porque é que ela me está a dizer para falar com outras pessoas? No entanto, fiz o que ela sugeriu e falei com mais duas doulas. Uma ia estar de férias por altura da minha data prevista. A outra, sinceramente, não me convenceu. Depois de falar com a minha melhor amiga (que é também numeróloga) decidimos que o meu coração tinha escolhido bem à primeira. A Nancy tinha números que a definiam como uma pessoa carinhosa e só podia ser boa naquilo que fazia! Os números confirmaram a minha intuição inicial e a decisão estava tomada. A Nancy Abbott seria a nossa doula.

Encontrámo-nos com a Nancy uma vez durante a gravidez e falámos durante horas sobre aquilo que desejávamos e esperávamos do nascimento, discutimos quais os maiores receios e revimos estratégias para uma gravidez saudável. Ela falou-nos de diferentes posições para ajudar a bebé a virar, pois naquela altura ainda não o tinha feito. E a verdade é que 3 dias depois… A nossa menina estava de cabeça para baixo!

No final da gravidez passámos a trocar emails semanalmente, em que eu lhe contava o que as enfermeiras me diziam nas consultas e ela partilhava informação, dicas e acima de tudo transmitia mensagens de apoio. Quando cheguei às 40 semanas e a menina teimava em ainda não nascer, a Nancy ajudou-me a gerir as minhas expectativas, falou-me de maneiras naturais de induzir o parto e ajudou-me a navegar as conversas no gabinete médico sobre uma possível indução (melhor dizendo, ajudou-me a dizer-lhe que não e que preferia esperar que a menina L chegasse na sua hora).

E quando o dia finalmente chegou, lá estava ela! A primeira cara que vejo à saída do elevador do hospital, no piso da maternidade, às 8 da manhã e com um sorriso gigante na cara e os braços abertos. Que belo início! Esteve lá quando nos disseram que teríamos que voltar para casa e que ainda era cedo. Esteve connosco em casa. Esteve connosco durante as decisões mais difíceis. E estava lá 40 horas depois, quando a nossa menina decidiu vir ao mundo. Ajudou-me a tomar decisões, ajudou e preparou o meu marido quando acabámos de facto por ter que fazer uma cesariana. E se foi tão bom tê-la lá connosco! Isso foi a resposta a todas as minhas dúvidas iniciais!

Duas semanas depois, a Nancy voltou à nossa casa para ver a nossa menina. Com ela, trouxe uma bela “História de Parto” de 11 páginas, para podermos sempre lembrar-nos de como a nossa aboborazinha chegou ao mundo. Entre risos e lágrimas, revivemos aquele dia (ou melhor, aqueles dias) e processámos todas as emoções que ainda estavam muito presentes em relação a um plano de parto que correu completamente de forma oposta àquilo que esperávamos (mais sobre este assunto num post futuro).

A Nancy fará sempre parte dos nossos pensamentos, memórias e até fotografias. Será sempre a pessoa que nos ajudou num dos dias mas difíceis, mas também mais felizes das nossas vida. Estou 100% satisfeita com a decisão de ter contratado uma doula. Não uma doula qualquer. A Nancy.

 

doula

Arte Doula – Artista Desconhecido

O Desafio #100HappyDays e a Minha Transformação Pessoal

Já passou um mês desde que comecei o desafio #100HappyDays (100 Dias Felizes). Influenciada por outras pessoas que sigo nas redes sociais, decidi experimentar. Não pode ser assim tão difícil escrever, todos os dias, uma coisa que nos faz feliz, pois não? Infelizmente, por vezes é mesmo muito complicado. Vivemos num mundo com um ritmo acelerado e raramente temos tempo para abrandar e reflectir sobre as coisas mais simples da vida. Vivemos de obrigação em obrigação e quando nos apercebemos já passou uma semana, um mês, um ano.

Aqueles que me seguem no Facebook ou Twitter sabem que comecei este desafio no primeiro dia que decidi ficar em casa. E sim, é normal que os meus dias se tenham tornado um pouco mais fáceis desde que deixaram de estar preenchidos com a loucura dos dias de mãe e trabalhadora a tempo inteiro. E sim, também, tenho uma bebé maravilhosa que me faz feliz todos os dias. Mas, de maneira a desafiar-me mais ainda, todos os dias tento pensar em outra coisas pequenas ou grandes que têm preenchido a minha vida com mais felicidade.

O #100HappyDays têm feito de mim uma pessoa mais consciente e mais atenta. Sou forçada todos os dias a reflectir sobre quais as sensações, sentimentos ou pensamentos que me enchem a alma com mais positivismo. Graças a este desafio do #100HappyDays, todos os dias penso naquilo pela qual estou grata. Todos os dias penso nas coisas com as quais fui abençoada. Todos os dias me foco naquilo que me deixa plenamente satisfeita e feliz. Às vezes é algo simples como a sensação do sol a beijar a minha pele ou uma brisa que acaricia os meus cabelos. Coisas que até podiam acontecer noutros dias mas que, por causa da loucura do dia-a-dia, nem se quer parava para pensar ou apreciar. E assim vivia numa perpétua névoa cinzenta e a vida deixava de ter cor.

Estou curiosa para completar os próximos 68 dias do desafio e espero que, no final, este exercício passe a ser uma prática diária enraizada na minha vida, não só agora como no futuro.

 

Eu, estou rendida! E tu? Juntas-te a mim neste desafio?

#100HappyDays

A Criação Do Meu Caminho Para A Felicidade

Fui convidada para escrever como guest blogger no blogue e site da minha querida amiga – Purpose & Path – um site sobre numerologia, energia e orientação de vida.

Aqui está a publicação deste mês:

 

path to happiness

Foto por: jnyemb
https://flic.kr/p/8A2ywC

Quando a minha melhor amiga me disse que ia despedir-se do seu trabalho estável num tempo de recessão económica para se tornar numeróloga pensei: “Estás louca???!!!. Então eu deixei o nosso país porque não encontrava trabalho e tu agora vais desistir do teu?” Como boa amiga, decidi pôr o negativismo de lado, partilhei algumas das minhas preocupações, e no final disse-lhe que sempre a apoiaria em qualquer decisão que tomasse. E contra todas as expectativas, numa economia frágil, e mostrando aos críticos que estavam enganados…Ela conseguiu! Criou um negócio de sucesso e acima de tudo estava uma pessoa e uma profissional mais feliz! E eu estava deliciada ao vê-la tão satisfeita e realizada!

Durante este processo de mudança ela tem conseguido “arrastar-me” com ela. Temos falado sobre a vida, a mudança, a felicidade e ela tem me ajudado a olhar para os números (e para a vida) de uma forma completamente nova. Tenho dado por mim a reconectar-me com o meu lado mais “espiritual”, mais consciente dos meus desejos e necessidades nesse tão procurado caminho para a felicidade.

Acompanhando o processo dela, dei por mim a querer irradiar a mesma felicidade que via na cara dela, a mesma que eu já havia tido.
Coincidência ou não, é neste mês, mês 5, mês de mudança que, depois de muita reflexão, discussão e procura interior, eu decidi seguir os meus instintos. Às vezes na vida é preciso fechar os olhos e saltar. Às vezes não se pode dar ouvidos aos críticos. Às vezes não se podem tomar decisões somente baseado no que é racional. Às vezes é preciso seguir o nosso coração. Como a minha querida amiga tantas vezes me disse: “se te faz feliz então é porque é o caminho certo.”

E é isso que estou a fazer neste momento.Desde que decidi deixar o meu emprego estável (o quão estável um contrato que acaba dentro de meses pode ser), estou a irradiar mais felicidade do que algum dia se poderia imaginar. Fechei os olhos e saltei. E agora estou feliz em casa, a aproveitar o tempo com a minha linda filha que está a florescer a olhos vistos. Posso voltar a estar com ela, tenho mais tempo para pensar em mim, mais tempo para voltar a fazer o que gosto (como escrever), estou a começar a aventurar-me em novas oportunidades de negócio, e, mais importante ainda, tenho tempo para parar. Posso parar, reavaliar as minhas prioridades e desenvolver um plano que eventualmente me trará mais perto do meu caminho da felicidade.

Muitos diriam: “mas isso podias fazer enquanto trabalhavas”. Mas será que se pode mesmo? Quando uma pessoa se sente presa é como estar no meio de um nevoeiro. Não se consegue ver o que está à nossa frente, apenas o presente. E fica-se ali, preso, a remediar, a viver o dia-a-dia, a tapar os buracos que precisam de ser remendados no momento. Agora sinto-me livre. Posso sonhar outra vez, posso planear outra vez, posso visualizar outros caminhos. O meu 5 está a permitir-me reiniciar e começar do zero.

Ainda é muito cedo para dizer para onde me leva este novo caminho. No entanto, simplesmente sei, simplesmente sinto e confio que tudo vai correr bem. Não estou simplesmente a tentar criar o meu caminho para a felicidade. Estou a ser feliz enquanto o construo.

O novo e reformulado Two Tiny Feet

Foi uma longa ausência. Muito aconteceu. Muito mudou. Mas durante todo este tempo, guardei comigo tudo aquilo que queria dizer e partilhar. O Two Tiny Feet esteve sempre comigo. Nunca esquecido. Que bom seria se existisse uma aplicação que traduzisse para o blogue os nossos pensamentos… Mas como ainda  estamos a anos luz desses avanços tecnológicos, limitei-me simplesmente a anotar algumas ideias e pensamentos que agora se encontram pendentes no WordPress. Aos poucos partilharei a minha caminhada dos últimos meses. Mal posso esperar por partilhar tudo aquilo que se tem passado. Para já, queria apenas relançar o Two Tiny Feet no seu novo formato.

Como muito de vocês sabem, desde sempre tenho dividido a minha vida entre os EUA e Portugal. Apesar de estar a viver nos EUA neste momento, queria poder chegar a mais leitores no meu querido Portugal. Por isso, a partir de agora, este blogue será bilingue! Quando chegarem à página inicial podem escolher em que língua querem ler o blogue. Se subscreverem ao meu blogue continuarão a receber notificações em ambas as línguas.

Uma das novidades da minha vida é uma nova pareceria de negócio. Podem ler mais sobre isto na secção Serviços.

Espero que todos fiquem contentes com este novo formato e espero conseguir alcançar mais leitores que estejam interessados em seguir estas pequeninas pegadas!

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Photo por: Brian A. https://flic.kr/p/6i1As